CRÔNICA: SOBREVIVER NÃO É VIVER EM MOÇAMBIQUE

 🔥 CRÔNICA: SOBREVIVER NÃO É VIVER EM MOÇAMBIQUE

Acorda cedo. Não porque tem trabalho… mas porque a esperança ainda não morreu.

Sai de casa com o estômago vazio e o bolso ainda mais. Anda pelas ruas poeirentas, passa por lojas, obras, escritórios… e em cada porta a mesma resposta silenciosa: “não há vaga”.

Moçambique tornou-se um país onde procurar emprego já é um emprego — só que sem salário.

Os jovens, cheios de sonhos, transformaram-se em especialistas em esperar. Esperam chamada, esperam oportunidade, esperam milagre. E enquanto esperam… a vida passa.

Na esquina, alguém vende recarga. No outro lado, outro virou “desenrascado profissional”. Diplomas guardados na gaveta, sujos de frustração. Porque aqui, estudar já não garante nada — nem respeito, nem futuro.

E quando finalmente aparece uma oportunidade? Salário que mal paga transporte. Condições que insultam a dignidade. Mas aceitas… porque fome não negocia.

Enquanto isso, os discursos continuam bonitos. Promessas novas todos os dias. Mas o prato continua vazio.

O mais perigoso não é a falta de emprego.

É a normalização disso.

É o jovem que já nem sonha. É o pai que já não explica. É a mãe que já não pergunta.

Moçambique não está só em crise económica.

Está a perder uma geração inteira.

E o silêncio… esse sim… é o maior escândalo.

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